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Oração a São Jorge
Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge, para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.


Jesus Cristo me proteja e me defenda com o poder da sua Santa e Divina Graça, a Virgem Maria de Nazaré, me cubra com o seu Sagrado e Divino Manto, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus com a sua Divina Misericórdia e Grande Poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meus inimigos.
Glorioso São Jorge, em nome de Deus, em nome de Maria de Nazaré, em nome da falange do divino Espírito Santo, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, do poder dos meus inimigos carnais e espirituais e de todas as suas más influências, e que debaixo das patas do seu fiel ginete, meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós, sem se atreverem a ter um olhar sequer que me possa prejudicar.
Assim seja com o Poder de Deus e de Jesus e da Falange do divino Espírito Santo.
São Jorge, rogai por nós!

Amém!


VIAGEM DE ANA ROSA A LISBOA PARA A AUDIÊNCIA DE 11 DE ABRIL DE 2008
No dia 04 de abril, foi dada entrada no Tribunal de Lisboa, a um Recurso quanto ao indeferimento do relaxamento da prisão preventiva de Ana Virginia (mais uma vez), desde que não houve crime algum, pois a criança faleceu de causa natural, segundo o depoimento do Dr. João Proença na audiência passada, e requerendo o arquivamento do processo. Neste mesmo Recurso, reclamou-se sobre a atitude das Juízas, indeferindo a nomeação dos Consultores Técnicos pela defesa de Ana Virgínia, que impediu o exercício de seu Direito ao Contraditório, ou seja, contestar uma prova que o MP apresenta contra ela, o laudo de Léo, documento este extremamente inconsistente. Esta decisão do Tribunal contra o pedido da defesa vai de encontro ao princípio constitucional, onde se deve obter a busca da verdade material. Outro argumento do nosso Recurso relatou a falta de notificação da defesa pelo MP, quando arrolou o Perito do IML para ser argüido em plenário, que prevê nulidade de todos os atos do Tribunal a partir daquela data. Quanto à solução do Tribunal em que a defesa enviasse as perguntas por escrito, para que o Perito respondesse, isto foi feito: a defesa enviou mais de quarenta perguntas técnicas sobre a causa. Cheguei em Lisboa no dia 09 de Abril. Visitei Ana Virginia à tarde. No dia seguinte fui ao Escritório, onde encontrei as Advogadas incrédulas, pois haviam recebido um fax, onde contava um documento com a resposta do Perito, se recusando a responder as perguntas da defesa, contrariando a ordem judicial. Se fosse no Brasil, este Senhor seria preso, porém em Portugal, a parte interessada que reclame, ou seja, nós! Mais um empecilho, mais um requerimento, enfim, mais dificuldades para acabarmos com este pesadelo. Fui informada também que um órgão governamental oficial, enviou um despacho ao órgão de Classe dos Juízes de Portugal, fazendo duras críticas quanto à performance das Juízas na audiência de 12 de março, com atitudes claras de cerceamento de defesa.


Bem, a audiência do dia 11 de Abril, do ponto de vista das nossas Advogadas foi positiva para a defesa de Ana Virginia. As juízas estavam com outro comportamento e com a maior boa vontade (será que foi conseqüência da denúncia e do recurso?).
A Promotora também estava muito desanimada e quase não se pronunciou.
Em relação à recusa do Perito, as Juízas determinaram que, para se realizar os esclarecimentos da defesa, iriam ser nomeados três outros Peritos do próprio IML para responder às indagações, ou seja, tiveram uma atitude justa e demonstraram realmente que iriam investigar a verdade, pois caso a defesa não tivesse certeza da inocência de Ana Virgínia, jamais estaria dando tanta ênfase às falhas contidas na necropsia.
Dra Graça Vilar, a Psiquiatra contratada pela defesa, finalmente deu seu depoimento e brilhante, sobre o estado emocional e depressivo de Ana Virginia, desde os desentendimentos com o Nuno, quando foi presa e sua situação hoje. Esclareceu muito sobre a índole dela, sobre o amor pelo filho, garantindo que, em suas entrevistas e utilizando as técnicas da psiquiatria, concluiu que Ana Virginia não matou seu filho, era uma mãe dedicada e no dia dos fatos, da sua prisão e de seus interrogatórios policiais, ela estava em um estado de depressão profundo, totalmente desequilibrada com a perda do filho, sozinha em um país estranho, longe da família e amigos. Concluído o depoimento da Médica, a Juíza Presidente, chamou “Dona” Ana Virgínia para prestar novos esclarecimentos: foi este o momento mais duro e chocante para mim, pois pela primeira vez ouvi minha irmã relatar os últimos minutos de vida de meu sobrinho e como o encontrou já sem vida em sua cama. Sem palavras: só quero esquecer o que ouvi, pois naquele momento pude realmente sentir o desespero dela naquele dia e nem posso imaginar o seu sentimento de perda. Como Ana Virgínia mesmo diz: ”Quem tem filho vivo não pode sentir a dor de sua perda e se tentar imaginar, que eleve esta dor ao infinito”. Após seu relato, Viga declarou, em choro compulsivo, que jamais mataria seu filho. Do meu lugar da platéia não pude conter minhas lágrimas durante toda a sua fala. Encerrada a audiência, as Advogadas foram ao seu encontro e choraram abraçadas de emoção. Nem notamos quando as Magistradas se retiraram da sala, acho que desta vez seus sentimentos femininos e maternos afloraram, e tivemos a impressão de que haviam saído rapidamente para não externar nenhuma emoção em público. Teremos agora uma outra audiência em 9 de Maio, possivelmente para as alegações finais. Caso tudo corra bem, ou seja, se as respostas dos Peritos estiverem corretas, confirmando a morte natural e assumindo o erro médico da conclusão da causa mortis por intoxicação medicamentosa, em junho deveremos ter a última audiência para a sentença. Acho que em dois meses terei minha irmã de volta finalmente para casa. À tarde fui vê-la novamente no Hospital Prisão, ela estava mais tranqüila. As visitas para ela funcionam como um alento. Porém no sábado (véspera de meu retorno) ficamos mais uma hora além do horário normal. Nossa despedida foi muito difícil, ela chorava muito, relembrando fatos passados e eu fiquei desesperada em ter que deixá-la naquele estado. Foi quando ela me respondeu entre lágrimas: “Pode viajar sossegada minha irmã, eu ficarei bem, amanhã continuarei aqui com minha vidinha de sempre até que tudo isso acabe”. Apesar de tudo ela está a cada dia mais forte e mais lúcida. Voltei ao Brasil muito desolada, pois mais uma vez tive que deixá-la lá, do outro lado do oceano, e isto é muito doloroso.





Audiência em Portugal, dia 12 de março de 2008, por Ana Rosa..


Amigos, eu sei que todos estão querendo notícias sobre a audiência do dia 12 de março, porém somente hoje pude realmente fincar os pés em solo brasileiro e organizar as idéias. Vou descrever os principais acontecimentos, inclusive, aproveitando textos que minha irmã Ana Letícia: Às 7:30h, encontramos com Dra. Cristina (uma das advogadas de Ana Virgínia), no escritório. Em seguida fomos pegar Dr João Proença (médico neurologista que está trabalhando junto à defesa, para contestar o laudo de Léo). Seguimos para o Tribunal em Alenquer. Na audiência, a 1ª testemunha foi o médico que fez o laudo. Ele não tinha sido arrolado nem pela defesa e nem pela acusação. Ocorre que na segunda feira a defesa requereu que o médico legista fosse inquirido em plenário, estando a defesa acompanhada de assistentes técnicos (três médicos especialistas para um debate com os peritos). As juizas tendo em vista o requerimento, resolveram convocar o perito para ser ouvido, mas esqueceram de notificar a defesa, fato este contestado na audiência. A procuradora do ministério público e as magistradas fizeram perguntas a este perito, mas a defesa se recusou, alegando da necessidade dos médicos assistentes como requerido. O legista (tremia mais do que vara verde!) primeiro disse não ter condições de informar nada sobre o trileptal e a sua substância, mas depois fez várias afirmações descabidas: que a substância era letal e, em demasia, provocava reações adversas, sendo estas as responsáveis pela morte. Disse ainda que por existir amidalite purulenta, “poderia” se estar administrando antibiótico e “deve ter havido” reação entre o antibiótico e o trileptal (Leonardo não estava tomando antibiótico, se estivesse seria acusada a presença no sangue). E ainda aventou a hipótese de que o excesso da medicação possa ter sido dissolvido pelo soro fisiológico e ter sido eliminado pela urina (imaginem, sem ter entrado na corrente sanguínea). Bem todas estas justificativas foram ditas para se fugir de que a quantidade realmente encontrada em Léo era muito pequena, e não se poderia explicar o óbito. A segunda testemunha foi a médica que atendeu Ana Virginia no hospital, quando ela foi presa. Disse que na lavagem gástrica não havia sido encontrado nada: nem remédio e nem álcool (quem bebeu então os dois vidros do remédio e o vinho?). Disse que Ana Virgínia concordou em falar com a polícia, pois estava muito calma (claro, dopada!). Em seguida a defesa questionou porque ela havia dado alta a uma paciente que tinha acabado de tentar suicídio, sem encaminhá-la para a psiquiatria (outro furo). Neste ponto, a audiência foi interrompida para que as juizas formulassem o despacho sobre o requerimento da acareação entre os médicos e indeferiram. Porém como sabiam que tinham errado ouvindo o legista sem notificar a defesa, concederam prazo de dez dias para se formular os quesitos e respostas por escrito. Dra Cristina não aceitou no momento, pois não se sabe se será o legista mesmo que irá responder. Nuno foi a terceira testemunha, se recusou a depor. Levantou e saiu. Ele justificou tal direito, pois disse que convivia com ela maritalmente e as juizas boquiabertas (e toda Lisboa) deferiram. Chegou o momento mais importante da audiência: o depoimento de Dr João Proença, que foi simplesmente perfeito: começou contando a história do Trileptal e o que era a epilepsia, deixando patente que o óbito se deu por morte súbita e não por intoxicação, pois a quantidade encontrada no sangue de Léo é sub-terapêutica, afirmando claramente que houve erro médico, na conclusão da causa mortis, pois no laudo do IML não constam informações necessárias para se caracterizar a intoxicação, que seriam alterações hepáticas e cardíacas, verificando-se uma baixa de sódio no organismo, levando a vítima ao coma. Disse também que a acusação estava se baseando em suposições e especulações, o que não poderia ser admissível, sustentando sua opinião científica com segurança, de um profissional de 30 anos de experiência, cuidando de pacientes epilépticos. Afirmou que está cientificamente comprovado que aproximadamente 20 % dos portadores de epilepsia, principalmente crianças, chegam ao óbito por morte súbita. Além disso, o medicamento em causa demora de 6 a 8 horas para ser absorvido pelo organismo, e 5,17 microgramas não são suficientes para matar uma criança, e que aquela discussão foge do conhecimento de qualquer jurista. Argüido pela acusação quanto à possibilidade do medicamento ter sido expelido pela urina, respondeu: Como pode ter urinado, se a criança já estava morta? Enfim, as juízas desceram do pedestal e conseguimos implantar a dúvida que, sempre é “pró - réu” (espero que em Portugal também seja). Encerrou-se a audiência neste ponto, ficando a última testemunha de defesa, Dra Graça Vilar, psiquiatra de Ana Virgínia, para ser ouvida na próxima audiência, marcada para 11 de abril. Foram momentos bastante exaustivos, pois mexeu muito com o estado emocional de todos da defesa, porém estamos no caminho certo de que a verdade vai aparecer: Ouvimos da própria advogada de Viga que agora é um momento de paz, e que a família ficasse tranqüila, porque nada aconteceu, não existiu crime algum. Por isto estou compartilhando este recado com vocês, amigos que nos dão tanta força, com pensamentos otimistas e corrente positiva. Ana Virgínia está bem, na medida do possível, e confiante que logo voltará para casa.


VIAGEM A PORTUGAL, POR ANA ROSA.


11/02/08 segunda-feira: Desembarquei em Lisboa com o coração saltitante de ansiedade, pois não via a hora de rever minha irmã, depois de oito meses, dos quais sete correspondem a toda esta tragédia pela perda de Léo e pela sua prisão. Wally estava me esperando no aeroporto e fiquei hospedada em sua casa. Uma pessoa de uma grandeza de espírito inigualável. Uma francesa pedagoga que vive a 20 anos em Lisboa. Tem um sentimento de solidariedade tão grande, que seria a sua casa que acolheria Ana Virgínia, caso a justiça deferisse o pedido da liberdade vigiada.
As 13h fui para o hospital prisão, a ansiedade era tanta que nem conseguia raciocinar direito. Chegando lá, fui bem recebida na recepção: todas as guardas estavam esperando as irmãs que chegariam do Brasil.
Na entrada mesmo conheci a nossa advogada portuguesa pessoalmente, que estava visitando A Virginia, para as preparações finais de seu depoimento. Por isso, neste dia fiquei dez minutinhos com minha irmã, apenas para lhe dar um abraço bem apertado em nome de todos que torcem por ela. Fiquei na salinha de visita, e quando ela chegou, nos abraçamos tanto, e choramos muito de alegria e de saudades. Nem acreditei que estava com ela, depois de todos estes momentos aterrorizantes que passamos nos últimos meses. O braço dela está se regenerando, já consegue elevar um pouco, porém não tem resistência física. Está com um aspecto saudável, apesar das medicações, pois a achei um pouco inchada e com olheiras. Está tão branca, que nem parece a Ana Virginia sempre morena de sol.

12/03/08 terça-feira: Pela manhã fiquei reunida no escritório dos advogados, onde discutimos bem as estratégias da defesa. À tarde, era o momento mais emocionante, fui para o hospital, desta vez poderia ficar o tempo integral da visita, de 14:30 as 16:00h. Conversamos muito e não choramos. Deixei com ela uma roupa mais arrumada, porém discreta, batom, lápis de olho e um estojinho de sombras, para ela usar no dia seguinte, na primeira audiência. Afinal neste dia seria importante ela resgatar um pouco sua vaidade de mulher bonita que sempre teve.
À noite fui conhecer pessoalmente e jantar com meu amigo Antônio Serzedelo, do Vidas Alternativas, personagem muito importante para mim, pois mesmo à distância, sempre me ajudou e apoiou muito o caso de Ana Virginia. Noite muito agradável. Para quem já entrou no portal do VA, também conheci o local onde ele faz suas entrevistas, e as minhas inclusive.

13/02/08 quarta-feira: Acordei às 5 da manhã, pois fui esperar as demais testemunhas de defesa que chegavam do Brasil: Ana Regina, Joice (amiga de Viga), Dra Clarice (médica legista), César (pai de Léo) e Dr Lidivaldo Brito (procurador da justiça e amigo da família).
Fomos direto para o tribunal em Alenquer e permanecemos na sala de testemunhas, juntamente com as demais que residem em Portugal. Na sala em frente, estavam sentadas as testemunhas de acusação, inclusive o Nuno, que sequer levantou a cabeça, demonstrando total constrangimento com a presença da família de Viga.
A audiência iniciou com o depoimento de A Virginia, que durou mais de uma hora. Ela enfrentou de peito erguido o júri, apesar da arrogância de seus componentes, mas conseguiu falar. Que alívio!

Em seguida começaram os depoimentos dos bombeiros e guardas que a prenderam.
As 13 h, a juíza encerrou, marcando a nova audiência para 12 de março, porém nossas advogadas intervieram e foi concedida uma audiência extra no dia 15, para os depoimentos das testemunhas que se deslocaram do Brasil.
À tarde, eu, Rege e Joice, fomos ao hospital ver Viga. Uma festa, ela muito feliz, apresentando as irmãs para todos. Notei que está sendo bem tratada e que os funcionários têm um carinho especial por ela. Viga parecia uma criança: todo mundo que passava ela nos apresentava: olha, estas são minhas irmãs que chegaram do Brasil!, como quem diz: ei...eu tenho família viu? E eles me amam e acreditam em mim!
À noite, mais uma rodada de reunião no escritório dos advogados, para análise do andamento do julgamento e definição de novas estratégias.

14/02/08 quinta-feira: À tarde, estivemos novamente com nossa Viguinha, que se mostrava mais fortalecida com nossa presença, elevando assim sua alto estima e confiança de que tudo acabará bem. Em todos estes dias sempre levávamos roupas, pijamas, material de uso pessoal, revistas e jornais do Brasil com as notícias do carnaval e, finalmente pude adquirir um estoque enorme de cartões HELLO BRAZIL!!!!!hehehe.
Saímos de lá e fomos buscar todos os pertences de Leonardo que ainda estavam em poder do antigo advogado. Trouxemos tudo para casa, pois Viga pede que se guarde até o seu retorno, quando ela pessoalmente, faz questão de doar às crianças carentes.

15/02/08 sexta-feira: Pela manhã fomos para Alenquer, onde as testemunhas brasileiras prestaram depoimento. Pude realmente constatar a falta de interesse e de imparcialidade das três juízas, demonstrando um certo descaso e desprezo. Mesmo assim, neste ambiente hostil, cumprimos com os nossos papéis de testemunhas abonatórias e Dra Clarice com sua contestação do laudo, que provocou ira nas magistradas, porque não admitiam que uma médica brasileira apontasse erros em um laudo do IML português: Mas mesmo assim, cada um de nós falou tudo que nos foi previamente orientado pelas advogadas.
Novamente passamos a tarde no hospital prisão. Conheci o Dr Pedro, psicólogo do hospital que cuida e acompanha A Virginia. Um amor de pessoa, Viga sempre me falou muito bem dele e fiz questão de agradecê-lo por todo o apoio e dedicação que tem dado a ela, pois tem uma grande participação na recuperação sua emocional.

16/02/08 sábado: Pela manhã eu e Ana Regina fomos tomar um café com a Vice-Cônsul do Brasil em Lisboa, Dra Marília Oliveira. Percebi que somos iluminadas, pois Deus colocou pessoas muito boas em nosso caminho. A atuação da Dra Marília na permanência de Viga no hospital foi fundamental, impedindo-a de retornar para o presídio de Tires. Coloquei-a a par do julgamento e ela me garantiu que estará presente nas próximas audiências, juntamente com prepostos do governo brasileiro, conforme Pellegrino acordo com o secretário Romeu Tuma.
À tarde fomos para o último dia de visita, e por conta disso, a Sub-Chefe da guarda prisional permitiu que ficássemos mais uma hora com ela, após o horário oficial. Passei todo este tempo olhando para Viga, já me despedindo internamente e contendo as lágrimas. As 17h o guarda avisou que o horário havia acabado. Chegou a despedida. Ela nos abraçou e estava se mantendo forte e sorrindo. Porém quando nos abraçamos, eu mesma não agüentei: ela me disse ao ouvido: “muito obrigada minha irmã, se não fosse você eu não estaria mais aqui, você é minha madrinha, substitui a mãe”. Então lhe respondi que não estou lutando por obrigação de madrinha e sim porque a amo muito.

Foi muito duro retornar para casa e deixá-la naquele lugar que, apesar do tratamento amistoso, não é o seu lugar!
Saímos e olhei para trás: ela estava atrás do vidro com aquela carinha de pedinte: “me levem também!”
Descemos a rampa para a saída e ela já tinha subido e nos acenou da janela de seu quarto cheio de grades.
Chegamos no domingo, dia 17/02/08 em Salvador com o coração apertado, pois em nossa imensa bagagem, faltava a peça principal: Ana Virgínia, mas com muita confiança de que, a partir do dia 12 de março, quando serão ouvidas duas testemunhas de acusação (Nuno e uma enfermeira) e as demais de defesa, que são os médicos portugueses, que estão trabalhando junto aos advogados dela, a fim de mostrar para a justiça portuguesa todos os erros cometidos nas investigações policiais e os contidos no laudo de Léo. Agora sim, a contestação às acusações começará, e estamos nos preparando para que a verdade seja ouvida aos quatro cantos do planeta: Ana Virginia é inocente, ela não tem culpa na fatalidade que ceifou a vida de nosso Léo, pois o laudo consta que ele teve uma convulsão muito forte e por isso nos deixou. A quantidade da medicação dele encontrada em sua corrente sanguínea é muito abaixo da dose terapêutica que tomava diariamente. No próximo mês retornarei para a próxima audiência, e desta vez nossa irmã Ana Letícia irá também. Ela e Viga precisam se ver também. Sei que ainda não será desta vez que regressaremos com ela, mas na próxima...quem sabe!


OUÇA A ENTREVISTA NA RADIO CBN COM O PROCURADOR GERAL DA JUSTIÇA DA BAHIA DR LIDIVALDO BRITO
JUSTIÇA PORTUGUESA BRINCA, MAIS UMA VEZ, COM ANA VIRGÍNIA


A Justiça Portuguesa negou a Ana Virginia o pedido de liberdade domiciliada com pulseira eletrônica, porque ela é estrangeira, pode fugir, e por estar emocionalmente abalada. Uma teoria tão mesquinha que lhe tolhe o direito de usufruir os benefícios legais. A Juíza, que assinou o indeferimento, também se apoiou no laudo técnico, expedido pelo próprio Hospital Prisional, e concluiu o risco de Ana Virginia voltar a tentar o suicídio, dada a sua fragilidade emocional e a falta de laços familiares com a Senhora que ofereceu sua casa em Lisboa, para acolhê-la, apesar de ser uma grande amiga de pessoas que mantêm laços fortes de amizade com a Família Sardinha. Crêem que no Hospital Prisional ela está salvaguardada, uma vez que conta com a ajuda de psicólogos. Pois é justamente o fato de Ana Virginia continuar em ambiente prisional é que está mexendo e muito com a cabeça dela: é exatamente isso que está fazendo com que a mesma fraqueje. Será que ninguém consegue enxergar como é impossível para uma pessoa honesta conviver com todo e qualquer tipo de criminosos, assassinos e pessoas do mais baixo estrato cultural e de más índoles? Ana Virginia continua sendo ameaçada pela tal de Paula, uma traficante de drogas, aidética, com sérios problemas psíquicos, com feridas na perna que nunca cicatrizam e sem nenhum hábito de higiene pessoal, pois sequer toma banhos, exalando de seu corpo um mau cheiro comparado a fezes humanas e o hospital insiste em deixá-las juntas no mesmo quarto. Fala que vai bater em Ana Virginia com toalhas molhadas para não deixar marcas e doer bastante. Cadê os psicólogos que não tomam providências? Em casa de família, ela não estaria passando por isso. Quando foi decretada a sua prisão preventiva, sob a acusação de homicídio qualificado, sendo tratada como uma aventureira brasileira, em busca do “el dorado”, e como se fosse uma criminosa do mais alto grau de periculosidade, alegaram que, por estas características que a polícia e os jornais portugueses imprimiram em Ana Virginia, no presídio ela estaria a salvo de ser até linchada na rua. E foi justamente lá que Ana Virgínia encontrou os mais perversos algozes, que a espancaram, paralisaram seu braço, joelho, quadris e espalharam queimaduras em seu corpo: Proteção foi o que ela não teve. Agora garantem que os psicólogos vão ajudá-la a não se matar. Como se não bastasse a dolorosa perda de seu filho Léo, a acusação de ter-lhe ceifado a vida e a prisão arbitrária, ainda têm a pretensão de “achar” que um ambiente carcerário poderá curar todas estas seqüelas. A Juíza não se lembrou que Ana Virgínia precisa ter um tratamento médico muito eficiente, para se tentar reverter o seu quadro de lesão permanente no nervo plexo braquial. E para isso precisa se submeter a consultas médicas com especialistas que não prestam serviços carcerários. Sua família terá que providenciar, mas é preciso ter acesso livre a ela. Todas estas péssimas perspectivas é que estão contribuindo para uma baixa em seu emocional. Tínhamos esperanças de que ela fosse passar pelo menos o Natal em um lar de verdade, longe daquele antro de bandidos. Os psicólogos, na noite de Natal, não estarão lá para lhe fazer companhia e nem para confortá-la. Todos sabem a importância de um Natal em família, e para ela este dia será de solidão infinita. As verdadeiras consultas psicológicas de Ana Virginia são as ligações telefônicas que faz diariamente aos nossos pais, a mim e as nossas irmãs. Estas pessoas sim é que mantêm sua lucidez e a vontade de continuar viva em alta, porque ela está tendo a noção do quanto é amada e é importante para nossa família. Recebe também pelo correio, todos os comentários e mensagem de fé e de solidariedade que as pessoas enviam pelo site, orkut e blogs, para lhe mostrar que o mundo está a seu favor e acredita nela. Estou muito desolada, revoltada e angustiada, porém tenho a consciência de que o caminho pode ser longo e terei que ter força e fé para trilhá-lo com brilhantismo. Agora é respirar fundo e seguir em frente. Não sei exatamente o que fazer agora, mas vou achar uma luz. Preciso de ajuda.

Feliz Natal para todos e um 2008 com muita paz em nossos corações. Deus tenha piedade de Ana Virgínia e de todos nós! Sei também que Ele está cuidando de nosso anjinho Leonardo.
Ana Rosa Sardinha
Salvador – Bahia - Brasil - 16/12/2007



Caso Ana Virgínia poderá ser monitorado direto de Lisboa

Durante reunião da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, realizada esta semana, o Deputado Federal Nelson Pelegrino sugeriu que a Comissão encaminhe ao Ministério da Justiça um expediente propondo que um funcionário do Ministério vá a Lisboa para monitorar o caso Ana Virgínia.Para o Deputado é importante que esse funcionário consiga levantar informações sobre a integridade física da baiana e sobre o processo para que o Ministério, juntamente com o Itamaraty, possa montar a estratégia de defesa e começar a trabalhar para trazer a baiana de volta ao Brasil.

Deputado Federal Nelson Pelegrino sensibiliza Itamaraty, Ministério e Secretaria de Justiça para o caso de Ana Virgínia

Em reunião realizada ontem com o Secretário Geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro, Pelegrino conseguiu o apoio necessário para a busca de uma solução para o caso de Ana Virgínia, a baiana que está presa em Portugal, acusada de matar seu filho, Léo.De acordo com o parlamentar, Samuel Pinheiro se comprometeu a entrar em contato com os advogados que estão defendendo a brasileira em Portugal para levantar a real situação de Ana Virgínia. Para Pelegrino é preciso saber se a polícia portuguesa já tem o resultado da necropsia, se já se conhece a causa mortis de Leo e como está o inquérito aberto contra a baiana. “Todas essas informações irão ajudar o Itamaraty a montar uma estratégia de defesa. Nós estamos muito preocupados com a integridade física de Ana Virgínia. É preciso conhecer algumas informações para que possamos contactar as autoridades portuguesas, elucidar os fatos e contribuir com a defesa e a conseqüente libertação de Ana Virgínia”, argumentou o deputado. Ministério da Justiça e Secretaria Nacional da Justiça também abraçam a causa Ainda ontem, Pelegrino recebeu uma ligação do Secretário nacional de Justiça Romeu Tuma e marcou uma reunião para a próxima terça-feira, dia 27, para discutir estratégias para a defesa da brasileira. O Ministro da Justiça, Tarso Genro, que havia recebido um dossiê encaminhado por Pelegrino, também procurou o deputado para reafirmar o apoio ao caso de Ana Virgínia.


Deputado Federal Nelson Pelegrino se reúne amanhã com o Secretário Geral do Itamaraty:

Pelegrino irá se reunir amanhã, 21/11, com o Secretário Geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro, para solicitar a intervenção do órgão no caso da baiana Ana Virgínia, que está presa em Portugal, acusada de matar seu filho, Léo. A reunião é fruto de um requerimento encaminhado pelo deputado no último dia 7. Além de solicitar o auxílio do Itamaraty, Pelegrino encaminhou outros dois requerimentos: um destinado ao Presidente da Comissão de Direitos Humanos, Luis Couto, outro ao Presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia. Todos com a intenção de buscar apoio e soluções para o caso da baiana que está detida em Portugal.


MENSAGEM DITADA, POR ANA VIRGÍNIA, EM 20/11/2007 POR TELEFONE, DO HOSPITAL, PARA MAYCON, À SUA IRMÃ ANA ROSA:

Minha Querida Irmã, Madrinha, Comadre e Amiga.

Neste dia em que você está bem mais perto dos 50 do que eu dos 40, além de lhe desejar toda a felicidade do mundo que você merece, e sabendo que você ja contou todos os meus "podres" da infância, tenho que lhe confessar uma coisa:
Um dia que você não estava em casa e sabendo que você adoravaaaaa que eu pegase suas coisas, eu fui para o cinema usando uma roupa sua.
Até aí tudo bem. O problema foi quando ao chegar em casa, interfonei para Ana Letícia, e soube da boa notícia que você já estava em casa...
Pedi a Ana Letícia que pegasse uma roupa minha e que a levasse até a escada. Ana Letícia o fêz, com aquela gargalhada "muito discreta", e eu, pagando o maior mico em trocar de roupa no meio da escada.
Quando entramos em casa você estava sentada na mesa e nós duas com aquela cara de "deve tudo mas não sabe de nada" nao conseguimos escapar da fatídica pergunta:
- O que vocês estavam aprontando?
Saímos correndo para o quarto, onde eu guardei carinhosamente sua roupa no armário.
Esse pequeno "deslize" ja vai a mais de vinte anos, mas não posso esquecer das nossas "picuínhas".
Espero que no próximo ano possamos comemorar todas nós, juntas, esta data tão especial e marcante.
Um abraço apertado e um grande beijo
Da sua Irmã
Da sua Afilhada
Da sua Comadre
De sua Fã Número 1
Viga


ENTREVISTA POR ANTONIO SERZEDELO, ASSOCIAÇÃO VIDAS ALTERNATIVAS: Epilepsia - Um Testemunho sobre mortes, a propósito do caso Ana Sardinha.

Esta foi a homenagem que o blog Palavras com Cheiro postou para Viga:

Aprisionada

roubaram-lhe o sol,
deram-lhe grades.
roubaram-lhe a inocência,
apontaram-na como culpada.
roubaram-lhe a sua terra,
deram-lhe uma cela.

dizem que de noite,
podia ouvir-se um grito
vindo de Tires.
era um grito surdo
e de dor aguda
saído das entranhas de uma mulher

roubaram-lhe tudo,
só porque um dia desistiu.
o dia em que viu seu bebê partir.

até as letras do nome lhe roubaram,
agora não passava de uma série numérica.

Publicada por * hemisfério norte em 18:29 5-11-2007
http://palavrascomcheiro.blogspot.com/2007/11/aprisionada.html


PEDIDO DE APOIO À FAMÍLIA PORTUGUESA:
A família Sardinha pede apoio de alguma família portuguesa, com residência fixa em Lisboa, que possam receber Ana Virgínia em sua casa, para que ela possa estar em liberdade vigiada, através de habeas corpus, que esta sendo proferido por advogados portugueses, visto que seu estado de saúde, requer tratamentos específicos e que não podem ser aplicados da maneira devida, no hospital prisional em que ela se encontra.
Os advogados providenciaram, todo o acompanhamento médico necessário, assim como transporte as instituições médicas convenientes.

A Família Sardinha, arcará com toda e qual quer despesa de vestuário, alimentação, medicamentos e outras despesas, que Ana Virgínia venha a precisar.

Agradecemos ao apoio e solidariedade, em mais este pedido de todos.
Caso possa ajudar, entre em contato conosco, pelo email contato@anavirginiasardinha.com.br

Obrigado,
Família Sardinha

AGRADECIMENTO DA FAMÍLIA:
A família Sardinha agradece pelo apoio e carinho de todos na caminhada realizada no dia 02 de Novembro, as 10:00 em Salvador.
Foram arrecadados cerca de 300 kg de alimentos que foram doados a campanha Natal Sem Fome.
Esperamos que com a repercussão do caso, nossa querida Ana Virgíinia, esteja de volta o mais rápido possível ao seio famíliar, que é o seu lugar.
Um sincero obrigado, repleto de sentimentos de paz e agradecimento a todos.
Família Sardinha

ASSISTA A COBERTURA DA CAMINHADA PELA TV GLOBO CLICANDO AQUI!

BLOGAGEM COLETIVA :
Agradecemos as dezenas de blogs que aderiram ao movimento de manifestação da blogagem nacional à favor de Ana Virginia Moraes Sardinha, com toda a certeza 05 de Novembro, ficará para sempre marcado na história da Internet Brasileira como o dia em que a solidariedade e a união fizeram grande diferença, mostrando força e coragem para com a verdade!
Esse grande dia inesquicívil tambem foi marcado com o inicio da intervenção oficial do Ministério da Justiça a favor de Ana Virgínia.

Organizadores da Manifestação Nacional:

Blog do Ronald http://blogdoronald.blogspot.com.
Hippos http://hippopotamo.blogspot.com
Luz de Luma http://luzdeluma.blogspot.com

Um sincero agradecimento aos Blogs que aderiram a mobilização a favor de Ana Virgínia:
BLOGS PARTICIPANTES:
Misterios de Mona Lisa, Blog da Mary, Dongoes, Rosamaria, Consciência e Vida, Sheherazade, Apoio Fraterno, Distant Daily, Quem tecla não chora, O meu jeito de ser, Pianomanga, Mais ou menos nostalgia, Meu ouvido não é penico, Blogs de qualidade, Eu ele e a Holanda, O biscoito fino e a massa, Leticia Coelho, 30 & alguns, Meu mundo e nada mais, Jornal da Lua, Pobre pampa, Vidas alternativas, Opusgay, Oscar Luiz, Flainando na Web, Encanto, Forense contemporâneo, André Wernner, Ricardo Rayol, Cejunior, Jesus apocrifo, Betty, Blog gente, Marlene, Marilia, Maristela, Saia justa, Michelle, Sandra Pontes, Cilene Bonfim, Paula Lee, Nedelande, Zé Alfredo, Meire, Tah, A menina e as montanhas, Clinica da palavra, Gustavo, Blue Moon - Tina, Julio, Aline Silva, Raquel A., Paula C., Quem tecla não chora, Lidos e vividos, Alma Cigana, Lino Resende, Hemisfério Norte, Cenas do Cotidiano, Andréa Motta, Lavanderia Virtual.

ENTREVISTA IMPORTANTE:
OUÇA AGORA: Entrevista com Antonio Serzedelo, presidente da Associação Cívica Vidas Alternativas
NOTA A IMPRENSA:
A familia de Ana Virginia Moraes Sardinha, desconhece qualquer advogado brasileiro que declare ter sido contratado para o caso, a exemplo da citação constante na notícia publicada no TERRA em 25/07/07 - http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI2021511-EI306,00.html - BBC BRASIL http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u339703.shtml Para a sua defesa, foi constituído um grupo de advogados portugueses natos, de repútação ilibada e com brilhantes atuações na área criminal.

MENSAGEM DITADA POR ANA VIRGINIA MORAES SARDINHA, A SUA IRMÃ, DO HOSPITAL, POR TELEFONE:
"Ana Rosa, venha me buscar, minha irmã, eu estou com medo! Agradeça a todos por mim, as manifestações de carinho e apoio...e peça a eles que continuem rezando pelo meu filho, (choro), para o meu filho, (pausa), porque ele é um anjinho...meu bebê..." Ana Virgínia em 27/10/07 às 07:20h
ASSINE A PETIÇÃO PÚBLICA ABAIXO

To: EXMO Presidente da República Federativa do Brasil - Luis Inácio Lula da Silva, EXMO Ministro da Justiça do Brasil - Tarso Genro.

Prezados Srs,

Ana Virginia Moraes Sardinha, brasileira, solteira, administradora de empresas, 38 anos de idade, CPF sob nº 512468645-68, Rg sob nº 03715989-58, SSP/BA residente e domiciliada em Salvador-Ba, viajou para Portugal no dia primeiro de junho de 2007, em companhia de seu único filho menor Leonardo Brittes Sardinha Santos, de 06 anos de idade, com o objetivo de passar um mês de férias, adentrando, ambos naquele país de forma legalizada, através de passaportes brasileiros expedidos regularmente e portando, ainda, declaração de português nato de nome Nuno Guilherme de Almeida Sampaio, identidade 10346594/4, que se responsabilizava, naquele momento, pela estada e permanência destes em solo português.

Ana Virgínia e Leonardo viajaram com passagens de ida e de volta, com recursos financeiros próprios e suficientes para custear a estadia de ambos, alojando-se em casa alugada, situada em condomínio fechado em Alenquer, a 68 km de Lisboa, a convite de Nuno Guilherme, ex-jogador de futebol de time português, o Benfica, pessoa com quem Ana Virginia mantinha relacionamento amoroso por dois anos, época em que o conheceu aqui no Brasil.

Durante sua estadia e convivência com Nuno Guilherme, todavia, Ana Virgínia percebeu que o relacionamento amoroso não mais podia prosperar, pois o seu namorado Nuno não estava demonstrando nenhum carinho pelo seu filho, resolvendo retornar ao Brasil dia 03 de julho de 2007, sendo, inclusive, data esta já previamente marcada para seu retorno.

Com o término do relacionamento, Ana Virgínia resolvera sair da residência sita em Alenquer às vésperas de seu retorno, e hospedar-se com seu filho em um hotel na cidade de Lisboa, tempo suficiente para aguardar o vôo internacional de volta ao Brasil.

Persuadida para tentar reatar o relacionamento, transferiu da data da viagem para o dia 05 de julho de 2007. Neste dia, horas antes da partida, Leonardo passou a apresentar quadro convulsivo sendo acudido por Ana Virgínia que, sozinha e ao desamparo de pessoas conhecidas para ajudar, te?tou prestar ao filho os primeiros socorros. Ao pedir ajuda a Nuno Guilherme através de ligação telefônica, presenciou seu único filho, definhar-se sem conseguir ajudá-lo. A constatação da morte do filho menor, a impulsionou a situação de tal desespero, que a levou a tentar suicídio, ficando em estado comatoso e de total desequilíbrio emocional.

O infortúnio que ceifou a vida de Leonardo ocorreu quando Ana Virgínia ministrou em seu filho o remédio, diário e usual prescrito por médica neurologista brasileira, por tratamento para combater a enfermidade Convulsão Benigna da Infância, diagnosticado há um ano pela família.

Em 05 de julho de 2007, Ana Virginia após receber primeiros socorros, ficou privada de sua liberdade, sendo decretada sua prisão cautelar acusada de prática de homicídio qualificado, contra seu próprio filho, passando a ficar incomunicável a partir de então.

Os familiares só tomaram conhecimento de que Ana Virginia se encontrava encarcerada no Estabelecimento Prisional de Tires, dez dias após o acontecido e através de terceiros, pois os contatos diários da família com esta e o companheiro haviam cessado.

Em nenhum momento o Estado de Portugal comunicou sua prisão e a morte do menor à família no Brasil e nem às autoridades brasileiras. Longe do que alguns jornais lisboetas noticiaram, Ana Virginia é uma moça oriunda de família com formação exemplar, bem conceituada socialmente, composta dos pais, José Carlos Guimarães Sardinha e Jacimar de Jesus Moraes Sardinha, e 03 irmãs, Ana Rosa (engenheira), Ana Regina (arquiteta), Ana Letícia (promotora de justiça).

As publicações da imprensa local, nutridas pelas informações de Nuno Guilherme, denegriram a imagem ilibada de Ana Virgínia, profissional de nível superior, com residência e emprego fixos, e foram fatos decisivos para justificar a sua prisão preventiva, nos moldes da justiça portuguesa, pois sendo identificada irresponsavelmente pelos jorna?s como aventureira, prostituta, acusada de ter envenenado seu filho menor, provocou um torpor emocional e de revolta, tendo contra ela a opinião pública.

O corpo de Leonardo só pode ser trasladado para o Brasil em 23 de julho de 2007, a fim de receber os rituais religiosos pelo seu falecimento, evitando ser enterrado como indigente no solo português.

Ana Virgínia foi mantida presa e incomunicável sem qualquer acusação formal. Em Portugal, nas férias forenses nada funciona, sem haver qualquer juiz ou promotor plantonista para conduzir o caso de Ana Virgínia vigorando ainda o sigilo processual que não permite acesso aos autos, nem por parte do advogado particular e credenciado pela OAP, constituído pela família. Até a presente data, o resultado de perícia médica realizada em Leonardo Brittes, ainda não foi divulgado, laudo este que não tem previsão de ser concluído.

Ana Virginia era mantida sedada pelo corpo da administração prisional, passando a conviver e dividir cela com pessoas de alta periculosidade como traficantes de drogas, homicidas, etc.

Em 05 de agosto de 2007, quando completara um mês da morte de seu filho e, para não se lembrar deste fato doloroso, Ana Virgínia ingeriu uma dose excessiva de tranqüilizantes para conseguir dormir, quando foi violentamente atacada, ficando terrivelmente mutilada, ostentando ainda hoje, feridas de queimaduras no rosto, pernas e braços, além de ter sido vítima de outras violências corporais, estando atualmente paralítica do braço esquerdo, com fortes dores na bacia, proveniente dos ataques físicos sofridos contra seu corpo.

Hoje se encontra internada no Hospital Prisional São João de Deus, em Caxias, aonde vem recebendo algum tipo de auxílio médico através de fisioterapia, que a família não considera ser o tratamento adequado e eficiente.

Neste mesmo hospital, diuturnamente sofreu tortura psicológica quando é ameaçada de retornar ao mesmo Estabelecimento Prisional de T?res onde sofrera o atentado e que, necessariamente, já se prevê um revide.

O Estabelecimento Prisional através de sua direção, escondeu o ocorrido, não comunicando o fato de tamanha gravidade sequer ao próprio advogado de Ana Virginia. A família teve ciência através de um telefonema desesperador dela mesma, somente uma semana depois do ataque sofrido e após recobrar a consciência.

Cobertos pela prática arbitrária e medieval do princípio do sigilo, que rege o ordenamento penal pátrio, Ana Virginia e os familiares representados pelo advogado constituído, não tiveram acesso aos documentos dos auto. A justiça portuguesa vem martirizando-a, através de prepostos da polícia judiciária que, insistentemente, diz que ela não tem qualquer prova de sua inocência (com total disvirtualidade das garantias inerentes de um estado de direito) e que irá amargar 25 anos de prisão em Portugal, sofrendo claramente tortura psicológica. A família, de igual forma, se vê aflita, uma vez que, após o fato e quando da prisão de Ana Virgínia, esta se encontra completamente transtornada pela morte do filho, e sentindo-se absolutamente isolada e abandonada, visto que sua família em momento algum foi comunicada e, pior, mantida totalmente dopada e em estado de cruel e inacreditável incomunicabilidade.

A família tem vivido momentos de verdadeiro terror com todas estas atrocidades que aconteceram, tanto pela morte prematura do tão querido Léo, como também pelas atitudes injustas e desumanas que ela vem tendo em um país que se diz co-irmão do Brasil e signatário da Representação da União Européia.

Após longos vinte dias, foi deferido o pedido de visitas permanentes do casal amigo da família, residente em Lisboa, pois a direção do Hospital Prisional dificultou ao máximo o acesso destas pessoas idôneas e devidamente autorizadas a representar a família em Portugal. Eles próprios relataram o quadro desesperador em que se encontra Ana Virginia, com choros convulsivos, demonstrando toda a sua fragilidade e sensação de abandono e impotência.

?

Ana Virginia está com aspecto de quem sofreu um derrame cerebral, com todo o lado esquerdo paralisado, a mão torta e o braço definhado, consequência das torturas e espancamentos que possivelmente sofreu no Presídio de Tires. Continua com fortes dores na bacia, que a impede de sentar e andar normalmente. O hospital não está tratando destas lesões. A família suspeita que ela esteja com alguma fissura em algum osso desta região.

O acesso ao relatório médico de Ana Virgínia não foi permitido pelo hospital e nem o Governo Português providenciou um exame de corpo delito, muito menos publicou as causas das lesões. Ela está com o nervo PLEXO BRAQUIAL comprometido no braço esquerdo, diagnóstico este detectado através de exames feitos por patrocínio do Consulado, fora do ambiente prisional, após visita do Vice-Cônsul a Ana Virgínia, em 28 de agosto de 2007, mais uma vez por apelos diretos da família.

A lesão foi provocada devido ao rompimento do ligamento que une o membro superior à espinha dorsal. Dependendo da gravidade o paciente deverá se submeter à intervenção cirúrgica. Esse tipo de lesão inclusive afeta a visão, o que já está acontecendo com ela, pois está com dificuldades de leitura e a sua memória está falhando. O hospital prisional não está dando nenhum tratamento médico eficiente a ela, ao contrario, apenas, faz uma fisioterapia e aplica remédios para minimizar as dores. Ana Virgínia nos primeiros dez dias urrava de dores insuportáveis.

Se não houve tortura, como surgiram estas dores e inchaços na bacia dela? Por que de repente, da noite para o dia, apareceram manchas escuras em seu rosto, pernas, braços e mãos, com formas definidas, que hoje se transformaram em bolhas, processo claro de quem sofreu queimaduras na pele? Se não houve tortura, como Ana Virgínia conseguiu lesionar o citado nervo do braço esquerdo? Segundo pesquisas que a família está realizando e consultas a especialistas médicos de São Paulo, este tipo de lesão no PLEXO BRAQUIAL, são ocasionadas por arma de fogo, acidente obstétrico ? (que não é o caso) ou quedas brutais (vejam bem!), muito comum em acidentes de motos. Ela sofreu sim uma brutal agressão física e que Portugal quis esconder o quanto pôde estes fatos.

“è notória a necessidade de esclarecimento deste atentado hediondo e que os culpados sejam apontados e punidos. Sei que isto não trará meu sobrinho de volta e muito menos reduzirá as seqüelas físicas e emocionais que ficarão cravadas em minha irmã para sempre, mas a justiça tem que ser aplicada, para que não aconteça com outros seres humanos, em situações de cárcere, seja lá qual for o motivo, este terrível e repugnante ato de agressão. Tudo isso no meu entender, ultrapassou e muito a violação dos direitos da humanidade de viver condignamente”.

A família quer a aplicação da lei brasileira e dos tratados e acordos internacionais, trazendo Ana Virginia imediatamente para o Brasil a fim de que a justiça se debruce sobre a perseguição de sua defesa, garantindo a legalidade prevista e amparada em nosso ordenamento jurídico, pela lei penal brasileira em seu art. 7 º e pelo decreto lei n º 394/38, em seu art. 18, diferentemente do que ocorre naquele país europeu, onde impera o tempo da barbárie, o autoritarismo colonial e arbitrariedade sem limites, resultando no atentado e violação de todos os tratados e convenções internacionais, quer sobre matéria penal e processual penal, quer sobre direitos humanos.

A família quer provocar hoje, junto às autoridades brasileiras, abertura de procedimento próprio de extradição ativa de Ana Virginia para que esta retorne ao Brasil a fim de que sejam apurados os fatos de seu processo penal pela justiça brasileira, pois aqui terá direito a julgamento justo e imparcial.

As autoridades brasileiras também têm o dever de apurar as torturas que Ana Virgínia sofreu na prisão, bem como cobrar de uma maneira efetiva do Governo Português um pronunciamento oficial. Somos brasileiros, e temos que fazer valer os direitos à cidadania.

“O ? destino monta muitas armadilhas, mais esta está difícil de aceitar. No dia primeiro de junho de 2007 presenciei minha irmã e meu sobrinho partirem cheios de alegria para passarem umas férias em Lisboa. Hoje trouxemos nosso Léo sem vida, mas queremos nossa Viga (apelido de Ana Virgínia de infância) de volta e VIVA, com a ameaça de ficar paralítica para sempre do braço esquerdo, conseqüência do bárbaro e inexplicável atentado que sofreu na Prisão de Tires, para que receba todo o amor que sentimos por ela e um tratamentos médicos fisioterápico e neurológico adequados. Chega de sofrimento para ela”.

“Os nossos amigos brasileiros estão mobilizados nesta causa humanitária, porque Ana Virginia tem berço, tem laços de sangue fortes, tem princípios familiares, que conseguiu brilhantemente transmitir a seu filho Leonardo com toda perfeição. Esperamos que as autoridades brasileiras tragam Ana Virginia de volta para o seio de sua família, pois ela ainda terá um amargo caminhar para superar esta perda tão dolorosa e queremos que esta recuperação seja aqui, junto de nós: este direito ela tem”.


Assinado por Ana Rosa Sardinha Lima, engenheira civil na ativa, natural de Salvador - Bahia, casada, residente e domiciliada em Lauro de Freitas – Bahia, irmã mais velha e madrinha de Ana Virgínia Moraes Sardinha.