Audiência em Portugal, dia 12 de março de 2008, por Ana Rosa..
Amigos, eu sei que todos estão querendo notícias sobre a audiência do dia 12 de março, porém somente hoje pude realmente fincar os pés em solo brasileiro e organizar as idéias. Vou descrever os principais acontecimentos, inclusive, aproveitando textos que minha irmã Ana Letícia:
Às 7:30h, encontramos com Dra. Cristina (uma das advogadas de Ana Virgínia), no escritório. Em seguida fomos pegar Dr João Proença (médico neurologista que está trabalhando junto à defesa, para contestar o laudo de Léo). Seguimos para o Tribunal em Alenquer.
Na audiência, a 1ª testemunha foi o médico que fez o laudo. Ele não tinha sido arrolado nem pela defesa e nem pela acusação. Ocorre que na segunda feira a defesa requereu que o médico legista fosse inquirido em plenário, estando a defesa acompanhada de assistentes técnicos (três médicos especialistas para um debate com os peritos). As juizas tendo em vista o requerimento, resolveram convocar o perito para ser ouvido, mas esqueceram de notificar a defesa, fato este contestado na audiência.
A procuradora do ministério público e as magistradas fizeram perguntas a este perito, mas a defesa se recusou, alegando da necessidade dos médicos assistentes como requerido.
O legista (tremia mais do que vara verde!) primeiro disse não ter condições de informar nada sobre o trileptal e a sua substância, mas depois fez várias afirmações descabidas: que a substância era letal e, em demasia, provocava reações adversas, sendo estas as responsáveis pela morte. Disse ainda que por existir amidalite purulenta, “poderia” se estar administrando antibiótico e “deve ter havido” reação entre o antibiótico e o trileptal (Leonardo não estava tomando antibiótico, se estivesse seria acusada a presença no sangue). E ainda aventou a hipótese de que o excesso da medicação possa ter sido dissolvido pelo soro fisiológico e ter sido eliminado pela urina (imaginem, sem ter entrado na corrente sanguínea). Bem todas estas justificativas foram ditas para se fugir de que a quantidade realmente encontrada em Léo era muito pequena, e não se poderia explicar o óbito.
A segunda testemunha foi a médica que atendeu Ana Virginia no hospital, quando ela foi presa. Disse que na lavagem gástrica não havia sido encontrado nada: nem remédio e nem álcool (quem bebeu então os dois vidros do remédio e o vinho?). Disse que Ana Virgínia concordou em falar com a polícia, pois estava muito calma (claro, dopada!). Em seguida a defesa questionou porque ela havia dado alta a uma paciente que tinha acabado de tentar suicídio, sem encaminhá-la para a psiquiatria (outro furo).
Neste ponto, a audiência foi interrompida para que as juizas formulassem o despacho sobre o requerimento da acareação entre os médicos e indeferiram. Porém como sabiam que tinham errado ouvindo o legista sem notificar a defesa, concederam prazo de dez dias para se formular os quesitos e respostas por escrito. Dra Cristina não aceitou no momento, pois não se sabe se será o legista mesmo que irá responder.
Nuno foi a terceira testemunha, se recusou a depor. Levantou e saiu. Ele justificou tal direito, pois disse que convivia com ela maritalmente e as juizas boquiabertas (e toda Lisboa) deferiram.
Chegou o momento mais importante da audiência: o depoimento de Dr João Proença, que foi simplesmente perfeito: começou contando a história do Trileptal e o que era a epilepsia, deixando patente que o óbito se deu por morte súbita e não por intoxicação, pois a quantidade encontrada no sangue de Léo é sub-terapêutica, afirmando claramente que houve erro médico, na conclusão da causa mortis, pois no laudo do IML não constam informações necessárias para se caracterizar a intoxicação, que seriam alterações hepáticas e cardíacas, verificando-se uma baixa de sódio no organismo, levando a vítima ao coma. Disse também que a acusação estava se baseando em suposições e especulações, o que não poderia ser admissível, sustentando sua opinião científica com segurança, de um profissional de 30 anos de experiência, cuidando de pacientes epilépticos.
Afirmou que está cientificamente comprovado que aproximadamente 20 % dos portadores de epilepsia, principalmente crianças, chegam ao óbito por morte súbita. Além disso, o medicamento em causa demora de 6 a 8 horas para ser absorvido pelo organismo, e 5,17 microgramas não são suficientes para matar uma criança, e que aquela discussão foge do conhecimento de qualquer jurista.
Argüido pela acusação quanto à possibilidade do medicamento ter sido expelido pela urina, respondeu: Como pode ter urinado, se a criança já estava morta?
Enfim, as juízas desceram do pedestal e conseguimos implantar a dúvida que, sempre é “pró - réu” (espero que em Portugal também seja).
Encerrou-se a audiência neste ponto, ficando a última testemunha de defesa, Dra Graça Vilar, psiquiatra de Ana Virgínia, para ser ouvida na próxima audiência, marcada para 11 de abril.
Foram momentos bastante exaustivos, pois mexeu muito com o estado emocional de todos da defesa, porém estamos no caminho certo de que a verdade vai aparecer:
Ouvimos da própria advogada de Viga que agora é um momento de paz, e que a família ficasse tranqüila, porque nada aconteceu, não existiu crime algum. Por isto estou compartilhando este recado com vocês, amigos que nos dão tanta força, com pensamentos otimistas e corrente positiva.
Ana Virgínia está bem, na medida do possível, e confiante que logo voltará para casa.
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VIAGEM A PORTUGAL, POR ANA ROSA.
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11/02/08 segunda-feira: Desembarquei em Lisboa com o coração saltitante de ansiedade, pois não via a hora de rever minha irmã, depois de oito meses, dos quais sete correspondem a toda esta tragédia pela perda de Léo e pela sua prisão. Wally estava me esperando no aeroporto e fiquei hospedada em sua casa. Uma pessoa de uma grandeza de espírito inigualável. Uma francesa pedagoga que vive a 20 anos em Lisboa. Tem um sentimento de solidariedade tão grande, que seria a sua casa que acolheria Ana Virgínia, caso a justiça deferisse o pedido da liberdade vigiada. As 13h fui para o hospital prisão, a ansiedade era tanta que nem conseguia raciocinar direito. Chegando lá, fui bem recebida na recepção: todas as guardas estavam esperando as irmãs que chegariam do Brasil.
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Na entrada mesmo conheci a nossa advogada portuguesa pessoalmente, que estava visitando A Virginia, para as preparações finais de seu depoimento. Por isso, neste dia fiquei dez minutinhos com minha irmã, apenas para lhe dar um abraço bem apertado em nome de todos que torcem por ela. Fiquei na salinha de visita, e quando ela chegou, nos abraçamos tanto, e choramos muito de alegria e de saudades. Nem acreditei que estava com ela, depois de todos estes momentos aterrorizantes que passamos nos últimos meses. O braço dela está se regenerando, já consegue elevar um pouco, porém não tem resistência física. Está com um aspecto saudável, apesar das medicações, pois a achei um pouco inchada e com olheiras. Está tão branca, que nem parece a Ana Virginia sempre morena de sol.
12/03/08 terça-feira: Pela manhã fiquei reunida no escritório dos advogados, onde discutimos bem as estratégias da defesa. À tarde, era o momento mais emocionante, fui para o hospital, desta vez poderia ficar o tempo integral da visita, de 14:30 as 16:00h. Conversamos muito e não choramos. Deixei com ela uma roupa mais arrumada, porém discreta, batom, lápis de olho e um estojinho de sombras, para ela usar no dia seguinte, na primeira audiência. Afinal neste dia seria importante ela resgatar um pouco sua vaidade de mulher bonita que sempre teve.
À noite fui conhecer pessoalmente e jantar com meu amigo Antônio Serzedelo, do Vidas Alternativas, personagem muito importante para mim, pois mesmo à distância, sempre me ajudou e apoiou muito o caso de Ana Virginia. Noite muito agradável. Para quem já entrou no portal do VA, também conheci o local onde ele faz suas entrevistas, e as minhas inclusive.
13/02/08 quarta-feira: Acordei às 5 da manhã, pois fui esperar as demais testemunhas de defesa que chegavam do Brasil: Ana Regina, Joice (amiga de Viga), Dra Clarice (médica legista), César (pai de Léo) e Dr Lidivaldo Brito (procurador da justiça e amigo da família).
Fomos direto para o tribunal em Alenquer e permanecemos na sala de testemunhas, juntamente com as demais que residem em Portugal. Na sala em frente, estavam sentadas as testemunhas de acusação, inclusive o Nuno, que sequer levantou a cabeça, demonstrando total constrangimento com a presença da família de Viga.
A audiência iniciou com o depoimento de A Virginia, que durou mais de uma hora. Ela enfrentou de peito erguido o júri, apesar da arrogância de seus componentes, mas conseguiu falar. Que alívio!
Em seguida começaram os depoimentos dos bombeiros e guardas que a prenderam.
As 13 h, a juíza encerrou, marcando a nova audiência para 12 de março, porém nossas advogadas intervieram e foi concedida uma audiência extra no dia 15, para os depoimentos das testemunhas que se deslocaram do Brasil.
À tarde, eu, Rege e Joice, fomos ao hospital ver Viga. Uma festa, ela muito feliz, apresentando as irmãs para todos. Notei que está sendo bem tratada e que os funcionários têm um carinho especial por ela. Viga parecia uma criança: todo mundo que passava ela nos apresentava: olha, estas são minhas irmãs que chegaram do Brasil!, como quem diz: ei...eu tenho família viu? E eles me amam e acreditam em mim!
À noite, mais uma rodada de reunião no escritório dos advogados, para análise do andamento do julgamento e definição de novas estratégias.
14/02/08 quinta-feira: À tarde, estivemos novamente com nossa Viguinha, que se mostrava mais fortalecida com nossa presença, elevando assim sua alto estima e confiança de que tudo acabará bem. Em todos estes dias sempre levávamos roupas, pijamas, material de uso pessoal, revistas e jornais do Brasil com as notícias do carnaval e, finalmente pude adquirir um estoque enorme de cartões HELLO BRAZIL!!!!!hehehe.
Saímos de lá e fomos buscar todos os pertences de Leonardo que ainda estavam em poder do antigo advogado. Trouxemos tudo para casa, pois Viga pede que se guarde até o seu retorno, quando ela pessoalmente, faz questão de doar às crianças carentes.
15/02/08 sexta-feira: Pela manhã fomos para Alenquer, onde as testemunhas brasileiras prestaram depoimento. Pude realmente constatar a falta de interesse e de imparcialidade das três juízas, demonstrando um certo descaso e desprezo. Mesmo assim, neste ambiente hostil, cumprimos com os nossos papéis de testemunhas abonatórias e Dra Clarice com sua contestação do laudo, que provocou ira nas magistradas, porque não admitiam que uma médica brasileira apontasse erros em um laudo do IML português: Mas mesmo assim, cada um de nós falou tudo que nos foi previamente orientado pelas advogadas.
Novamente passamos a tarde no hospital prisão. Conheci o Dr Pedro, psicólogo do hospital que cuida e acompanha A Virginia. Um amor de pessoa, Viga sempre me falou muito bem dele e fiz questão de agradecê-lo por todo o apoio e dedicação que tem dado a ela, pois tem uma grande participação na recuperação sua emocional.
16/02/08 sábado: Pela manhã eu e Ana Regina fomos tomar um café com a Vice-Cônsul do Brasil em Lisboa, Dra Marília Oliveira. Percebi que somos iluminadas, pois Deus colocou pessoas muito boas em nosso caminho. A atuação da Dra Marília na permanência de Viga no hospital foi fundamental, impedindo-a de retornar para o presídio de Tires. Coloquei-a a par do julgamento e ela me garantiu que estará presente nas próximas audiências, juntamente com prepostos do governo brasileiro, conforme Pellegrino acordo com o secretário Romeu Tuma.
À tarde fomos para o último dia de visita, e por conta disso, a Sub-Chefe da guarda prisional permitiu que ficássemos mais uma hora com ela, após o horário oficial. Passei todo este tempo olhando para Viga, já me despedindo internamente e contendo as lágrimas. As 17h o guarda avisou que o horário havia acabado. Chegou a despedida. Ela nos abraçou e estava se mantendo forte e sorrindo. Porém quando nos abraçamos, eu mesma não agüentei: ela me disse ao ouvido: “muito obrigada minha irmã, se não fosse você eu não estaria mais aqui, você é minha madrinha, substitui a mãe”. Então lhe respondi que não estou lutando por obrigação de madrinha e sim porque a amo muito.
Foi muito duro retornar para casa e deixá-la naquele lugar que, apesar do tratamento amistoso, não é o seu lugar!
Saímos e olhei para trás: ela estava atrás do vidro com aquela carinha de pedinte: “me levem também!”
Descemos a rampa para a saída e ela já tinha subido e nos acenou da janela de seu quarto cheio de grades.
Chegamos no domingo, dia 17/02/08 em Salvador com o coração apertado, pois em nossa imensa bagagem, faltava a peça principal: Ana Virgínia, mas com muita confiança de que, a partir do dia 12 de março, quando serão ouvidas duas testemunhas de acusação (Nuno e uma enfermeira) e as demais de defesa, que são os médicos portugueses, que estão trabalhando junto aos advogados dela, a fim de mostrar para a justiça portuguesa todos os erros cometidos nas investigações policiais e os contidos no laudo de Léo.
Agora sim, a contestação às acusações começará, e estamos nos preparando para que a verdade seja ouvida aos quatro cantos do planeta: Ana Virginia é inocente, ela não tem culpa na fatalidade que ceifou a vida de nosso Léo, pois o laudo consta que ele teve uma convulsão muito forte e por isso nos deixou. A quantidade da medicação dele encontrada em sua corrente sanguínea é muito abaixo da dose terapêutica que tomava diariamente.
No próximo mês retornarei para a próxima audiência, e desta vez nossa irmã Ana Letícia irá também. Ela e Viga precisam se ver também. Sei que ainda não será desta vez que regressaremos com ela, mas na próxima...quem sabe!
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OUÇA A ENTREVISTA NA RADIO CBN COM O PROCURADOR GERAL DA JUSTIÇA DA BAHIA DR LIDIVALDO BRITO
JUSTIÇA PORTUGUESA BRINCA, MAIS UMA VEZ, COM ANA VIRGÍNIA
A Justiça Portuguesa negou a Ana Virginia o pedido de liberdade domiciliada com pulseira eletrônica, porque ela é estrangeira, pode fugir, e por estar emocionalmente abalada. Uma teoria tão mesquinha que lhe tolhe o direito de usufruir os benefícios legais. A Juíza, que assinou o indeferimento, também se apoiou no laudo técnico, expedido pelo próprio Hospital Prisional, e concluiu o risco de Ana Virginia voltar a tentar o suicídio, dada a sua fragilidade emocional e a falta de laços familiares com a Senhora que ofereceu sua casa em Lisboa, para acolhê-la, apesar de ser uma grande amiga de pessoas que mantêm laços fortes de amizade com a Família Sardinha. Crêem que no Hospital Prisional ela está salvaguardada, uma vez que conta com a ajuda de psicólogos. Pois é justamente o fato de Ana Virginia continuar em ambiente prisional é que está mexendo e muito com a cabeça dela: é exatamente isso que está fazendo com que a mesma fraqueje. Será que ninguém consegue enxergar como é impossível para uma pessoa honesta conviver com todo e qualquer tipo de criminosos, assassinos e pessoas do mais baixo estrato cultural e de más índoles? Ana Virginia continua sendo ameaçada pela tal de Paula, uma traficante de drogas, aidética, com sérios problemas psíquicos, com feridas na perna que nunca cicatrizam e sem nenhum hábito de higiene pessoal, pois sequer toma banhos, exalando de seu corpo um mau cheiro comparado a fezes humanas e o hospital insiste em deixá-las juntas no mesmo quarto. Fala que vai bater em Ana Virginia com toalhas molhadas para não deixar marcas e doer bastante. Cadê os psicólogos que não tomam providências? Em casa de família, ela não estaria passando por isso. Quando foi decretada a sua prisão preventiva, sob a acusação de homicídio qualificado, sendo tratada como uma aventureira brasileira, em busca do “el dorado”, e como se fosse uma criminosa do mais alto grau de periculosidade, alegaram que, por estas características que a polícia e os jornais portugueses imprimiram em Ana Virginia, no presídio ela estaria a salvo de ser até linchada na rua. E foi justamente lá que Ana Virgínia encontrou os mais perversos algozes, que a espancaram, paralisaram seu braço, joelho, quadris e espalharam queimaduras em seu corpo: Proteção foi o que ela não teve. Agora garantem que os psicólogos vão ajudá-la a não se matar. Como se não bastasse a dolorosa perda de seu filho Léo, a acusação de ter-lhe ceifado a vida e a prisão arbitrária, ainda têm a pretensão de “achar” que um ambiente carcerário poderá curar todas estas seqüelas. A Juíza não se lembrou que Ana Virgínia precisa ter um tratamento médico muito eficiente, para se tentar reverter o seu quadro de lesão permanente no nervo plexo braquial. E para isso precisa se submeter a consultas médicas com especialistas que não prestam serviços carcerários. Sua família terá que providenciar, mas é preciso ter acesso livre a ela. Todas estas péssimas perspectivas é que estão contribuindo para uma baixa em seu emocional. Tínhamos esperanças de que ela fosse passar pelo menos o Natal em um lar de verdade, longe daquele antro de bandidos. Os psicólogos, na noite de Natal, não estarão lá para lhe fazer companhia e nem para confortá-la. Todos sabem a importância de um Natal em família, e para ela este dia será de solidão infinita. As verdadeiras consultas psicológicas de Ana Virginia são as ligações telefônicas que faz diariamente aos nossos pais, a mim e as nossas irmãs. Estas pessoas sim é que mantêm sua lucidez e a vontade de continuar viva em alta, porque ela está tendo a noção do quanto é amada e é importante para nossa família. Recebe também pelo correio, todos os comentários e mensagem de fé e de solidariedade que as pessoas enviam pelo site, orkut e blogs, para lhe mostrar que o mundo está a seu favor e acredita nela. Estou muito desolada, revoltada e angustiada, porém tenho a consciência de que o caminho pode ser longo e terei que ter força e fé para trilhá-lo com brilhantismo. Agora é respirar fundo e seguir em frente. Não sei exatamente o que fazer agora, mas vou achar uma luz. Preciso de ajuda.
Feliz Natal para todos e um 2008 com muita paz em nossos corações. Deus tenha piedade de Ana Virgínia e de todos nós! Sei também que Ele está cuidando de nosso anjinho Leonardo.
Ana Rosa Sardinha
Salvador – Bahia - Brasil - 16/12/2007
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Caso Ana Virgínia poderá ser monitorado direto de Lisboa
Durante reunião da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, realizada esta semana, o Deputado Federal Nelson Pelegrino sugeriu que a Comissão encaminhe ao Ministério da Justiça um expediente propondo que um funcionário do Ministério vá a Lisboa para monitorar o caso Ana Virgínia.Para o Deputado é importante que esse funcionário consiga levantar informações sobre a integridade física da baiana e sobre o processo para que o Ministério, juntamente com o Itamaraty, possa montar a estratégia de defesa e começar a trabalhar para trazer a baiana de volta ao Brasil.
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Deputado Federal Nelson Pelegrino sensibiliza Itamaraty, Ministério e Secretaria de Justiça para o caso de Ana Virgínia
Em reunião realizada ontem com o Secretário Geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro, Pelegrino conseguiu o apoio necessário para a busca de uma solução para o caso de Ana Virgínia, a baiana que está presa em Portugal, acusada de matar seu filho, Léo.De acordo com o parlamentar, Samuel Pinheiro se comprometeu a entrar em contato com os advogados que estão defendendo a brasileira em Portugal para levantar a real situação de Ana Virgínia. Para Pelegrino é preciso saber se a polícia portuguesa já tem o resultado da necropsia, se já se conhece a causa mortis de Leo e como está o inquérito aberto contra a baiana. “Todas essas informações irão ajudar o Itamaraty a montar uma estratégia de defesa. Nós estamos muito preocupados com a integridade física de Ana Virgínia. É preciso conhecer algumas informações para que possamos contactar as autoridades portuguesas, elucidar os fatos e contribuir com a defesa e a conseqüente libertação de Ana Virgínia”, argumentou o deputado. Ministério da Justiça e Secretaria Nacional da Justiça também abraçam a causa Ainda ontem, Pelegrino recebeu uma ligação do Secretário nacional de Justiça Romeu Tuma e marcou uma reunião para a próxima terça-feira, dia 27, para discutir estratégias para a defesa da brasileira.
O Ministro da Justiça, Tarso Genro, que havia recebido um dossiê encaminhado por Pelegrino, também procurou o deputado para reafirmar o apoio ao caso de Ana Virgínia.
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Deputado Federal Nelson Pelegrino se reúne amanhã com o Secretário Geral do Itamaraty:
Pelegrino irá se reunir amanhã, 21/11, com o Secretário Geral do
Itamaraty, Samuel Pinheiro, para solicitar a intervenção do órgão no caso
da baiana Ana Virgínia, que está presa em Portugal, acusada de matar seu
filho, Léo. A reunião é fruto de um requerimento encaminhado pelo deputado
no último dia 7. Além de solicitar o auxílio do Itamaraty, Pelegrino
encaminhou outros dois requerimentos: um destinado ao Presidente da
Comissão de Direitos Humanos, Luis Couto, outro ao Presidente da Câmara,
Arlindo Chinaglia. Todos com a intenção de buscar apoio e soluções para o
caso da baiana que está detida em Portugal.
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MENSAGEM DITADA, POR ANA VIRGÍNIA, EM 20/11/2007 POR TELEFONE, DO HOSPITAL, PARA MAYCON, À SUA IRMÃ ANA ROSA:
Minha Querida Irmã, Madrinha, Comadre e Amiga.
Neste dia em que você está bem mais perto dos 50 do que eu dos 40, além de
lhe desejar toda a felicidade do mundo que você merece, e sabendo que você
ja contou todos os meus "podres" da infância, tenho que lhe confessar uma
coisa:
Um dia que você não estava em casa e sabendo que você adoravaaaaa que eu
pegase suas coisas, eu fui para o cinema usando uma roupa sua.
Até aí tudo
bem. O problema foi quando ao chegar em casa, interfonei para Ana Letícia,
e soube da boa notícia que você já estava em casa...
Pedi a Ana Letícia que pegasse uma roupa minha e que a levasse até a
escada. Ana Letícia o fêz, com aquela gargalhada "muito discreta", e eu,
pagando o maior mico em trocar de roupa no meio da escada.
Quando entramos em casa você estava sentada na mesa e nós duas com aquela
cara de "deve tudo mas não sabe de nada" nao conseguimos escapar da
fatídica pergunta:
- O que vocês estavam aprontando?
Saímos correndo para o quarto, onde eu guardei carinhosamente sua roupa no
armário.
Esse pequeno "deslize" ja vai a mais de vinte anos, mas não posso esquecer
das nossas "picuínhas".
Espero que no próximo ano possamos comemorar todas nós, juntas, esta data
tão especial e marcante.
Um abraço apertado e um grande beijo
Da sua Irmã
Da sua Afilhada
Da sua Comadre
De sua Fã Número 1
Viga
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Esta
foi a homenagem que o blog Palavras com Cheiro postou para Viga:
Aprisionada
roubaram-lhe o sol,
deram-lhe grades.
roubaram-lhe a inocência,
apontaram-na como culpada.
roubaram-lhe a sua terra,
deram-lhe uma cela.
dizem
que de noite,
podia ouvir-se um grito
vindo de Tires.
era um grito surdo
e de dor aguda
saído das entranhas de uma mulher
roubaram-lhe
tudo,
só porque um dia desistiu.
o dia em que viu seu bebê partir.
até as
letras do nome lhe roubaram,
agora não passava de uma série numérica.
Publicada
por * hemisfério norte em 18:29 5-11-2007
http://palavrascomcheiro.blogspot.com/2007/11/aprisionada.html
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PEDIDO
DE APOIO À FAMÍLIA PORTUGUESA:
A
família Sardinha pede apoio de alguma família portuguesa, com
residência fixa em Lisboa, que possam receber Ana Virgínia em
sua casa, para que ela possa estar em liberdade vigiada, através
de habeas corpus, que esta sendo proferido por advogados portugueses,
visto que seu estado de saúde, requer tratamentos específicos
e que não podem ser aplicados da maneira devida, no hospital
prisional
em que ela se encontra.
Os advogados providenciaram, todo o acompanhamento médico necessário,
assim como transporte as instituições médicas convenientes.
A Família
Sardinha, arcará com toda e qual quer despesa de vestuário, alimentação,
medicamentos e outras despesas, que Ana Virgínia venha a precisar.
Agradecemos ao apoio e solidariedade, em mais este pedido de
todos.
Caso possa ajudar, entre em contato conosco, pelo email contato@anavirginiasardinha.com.br
Obrigado,
Família Sardinha
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AGRADECIMENTO
DA FAMÍLIA:
A
família Sardinha agradece pelo apoio e carinho de todos na caminhada
realizada no dia 02 de Novembro, as 10:00 em Salvador.
Foram arrecadados cerca de 300 kg de alimentos que foram doados
a campanha Natal Sem Fome.
Esperamos que com a repercussão do caso, nossa querida Ana Virgíinia, esteja
de volta o mais rápido possível ao seio famíliar, que é o seu lugar.
Um sincero obrigado, repleto de sentimentos de paz e agradecimento a todos.
Família Sardinha
ASSISTA A COBERTURA DA CAMINHADA PELA TV GLOBO CLICANDO AQUI! |
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BLOGAGEM
COLETIVA :
Agradecemos
as dezenas de blogs que aderiram ao movimento de manifestação
da blogagem nacional à favor de Ana Virginia Moraes Sardinha,
com toda a certeza 05 de Novembro, ficará para sempre marcado
na história da Internet Brasileira como o dia em que a solidariedade
e a união fizeram grande diferença, mostrando força e coragem
para com a verdade!
Esse grande dia inesquicívil tambem foi marcado com o inicio
da intervenção oficial do Ministério da Justiça a favor de Ana
Virgínia.
Organizadores da Manifestação Nacional:
Blog do Ronald http://blogdoronald.blogspot.com.
Hippos http://hippopotamo.blogspot.com
Luz de Luma
http://luzdeluma.blogspot.com
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Um sincero agradecimento aos Blogs que aderiram a mobilização
a favor de Ana Virgínia:
BLOGS PARTICIPANTES:
Misterios
de Mona Lisa, Blog da Mary, Dongoes, Rosamaria, Consciência e Vida, Sheherazade, Apoio Fraterno, Distant Daily, Quem tecla não chora, O meu jeito de ser, Pianomanga, Mais ou menos nostalgia, Meu ouvido não é penico, Blogs de qualidade, Eu ele e a Holanda, O biscoito fino e a massa, Leticia Coelho, 30 & alguns, Meu mundo e nada mais, Jornal da Lua, Pobre pampa, Vidas alternativas, Opusgay, Oscar Luiz, Flainando na Web, Encanto, Forense contemporâneo, André Wernner, Ricardo Rayol, Cejunior, Jesus apocrifo, Betty, Blog gente, Marlene, Marilia, Maristela, Saia justa, Michelle, Sandra Pontes, Cilene Bonfim, Paula Lee, Nedelande, Zé Alfredo, Meire, Tah, A menina e as montanhas, Clinica da palavra, Gustavo, Blue Moon - Tina, Julio, Aline Silva, Raquel A., Paula C., Quem tecla não chora, Lidos e vividos, Alma Cigana, Lino Resende, Hemisfério Norte, Cenas do Cotidiano, Andréa Motta, Lavanderia Virtual.
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ENTREVISTA IMPORTANTE:
OUÇA AGORA: Entrevista com Antonio Serzedelo, presidente da Associação Cívica
Vidas Alternativas
NOTA A IMPRENSA:
A familia de Ana Virginia Moraes Sardinha, desconhece
qualquer advogado brasileiro que declare ter sido contratado
para o caso, a exemplo da citação constante na notícia
publicada no TERRA em 25/07/07 - http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI2021511-EI306,00.html - BBC BRASIL http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u339703.shtml Para
a sua defesa, foi constituído um grupo de advogados portugueses natos, de repútação ilibada e com brilhantes atuações na área
criminal.
MENSAGEM
DITADA POR ANA VIRGINIA MORAES SARDINHA, A SUA IRMÃ, DO HOSPITAL,
POR TELEFONE:
"Ana Rosa, venha me buscar, minha irmã, eu estou com medo! Agradeça
a todos por mim, as manifestações de carinho e apoio...e peça a
eles que continuem rezando pelo meu filho, (choro), para o meu filho,
(pausa), porque ele é um anjinho...meu bebê..." Ana Virgínia em
27/10/07 às 07:20h
ASSINE
A PETIÇÃO PÚBLICA ABAIXO
To: EXMO
Presidente da República Federativa do Brasil
- Luis Inácio Lula da Silva, EXMO Ministro da
Justiça do Brasil - Tarso Genro.
Prezados Srs,
Ana
Virginia Moraes Sardinha, brasileira, solteira, administradora
de empresas, 38 anos de idade, CPF sob nº 512468645-68,
Rg sob nº 03715989-58, SSP/BA residente e domiciliada
em Salvador-Ba, viajou para Portugal no dia primeiro
de junho de 2007, em companhia de seu único filho
menor Leonardo Brittes Sardinha Santos, de 06 anos de
idade, com o objetivo de passar um mês de férias,
adentrando, ambos naquele país de forma legalizada,
através de passaportes brasileiros expedidos
regularmente e portando, ainda, declaração
de português nato de nome Nuno Guilherme de Almeida
Sampaio, identidade 10346594/4, que se responsabilizava,
naquele momento, pela estada e permanência destes
em solo português.
Ana
Virgínia e Leonardo viajaram com passagens de
ida e de volta, com recursos financeiros próprios
e suficientes para custear a estadia de ambos, alojando-se
em casa alugada, situada em condomínio fechado
em Alenquer, a 68 km de Lisboa, a convite de Nuno Guilherme,
ex-jogador de futebol de time português, o Benfica,
pessoa com quem Ana Virginia mantinha relacionamento
amoroso por dois anos, época em que o conheceu
aqui no Brasil.
Durante
sua estadia e convivência com Nuno Guilherme,
todavia, Ana Virgínia percebeu que o relacionamento
amoroso não mais podia prosperar, pois o seu
namorado Nuno não estava demonstrando nenhum
carinho pelo seu filho, resolvendo retornar ao Brasil
dia 03 de julho de 2007, sendo, inclusive, data esta
já previamente marcada para seu retorno.
Com
o término do relacionamento, Ana Virgínia
resolvera sair da residência sita em Alenquer
às vésperas de seu retorno, e hospedar-se
com seu filho em um hotel na cidade de Lisboa, tempo
suficiente para aguardar o vôo internacional
de volta ao Brasil.
Persuadida
para tentar reatar o relacionamento, transferiu da
data
da viagem para o dia 05 de julho de 2007. Neste dia,
horas antes da partida, Leonardo passou a apresentar
quadro convulsivo sendo acudido por Ana Virgínia
que, sozinha e ao desamparo de pessoas conhecidas para
ajudar, te?tou prestar ao filho os primeiros socorros.
Ao pedir ajuda a Nuno Guilherme através de ligação
telefônica, presenciou seu único filho,
definhar-se sem conseguir ajudá-lo. A constatação
da morte do filho menor, a impulsionou a situação
de tal desespero, que a levou a tentar suicídio,
ficando em estado comatoso e de total desequilíbrio
emocional.
O
infortúnio que ceifou a vida de Leonardo ocorreu
quando Ana Virgínia ministrou em seu filho o
remédio, diário e usual prescrito por
médica neurologista brasileira, por tratamento
para combater a enfermidade Convulsão Benigna
da Infância, diagnosticado há um ano pela
família.
Em
05 de julho de 2007, Ana Virginia após receber
primeiros socorros, ficou privada de sua liberdade,
sendo decretada sua prisão cautelar acusada de
prática de homicídio qualificado, contra
seu próprio filho, passando a ficar incomunicável
a partir de então.
Os
familiares só tomaram conhecimento de que Ana
Virginia se encontrava encarcerada no Estabelecimento
Prisional de Tires, dez dias após o acontecido
e através de terceiros, pois os contatos diários
da família com esta e o companheiro haviam cessado.
Em
nenhum momento o Estado de Portugal comunicou sua
prisão
e a morte do menor à família no Brasil
e nem às autoridades brasileiras. Longe do que
alguns jornais lisboetas noticiaram, Ana Virginia é
uma moça oriunda de família com formação
exemplar, bem conceituada socialmente, composta dos
pais, José Carlos Guimarães Sardinha e
Jacimar de Jesus Moraes Sardinha, e 03 irmãs,
Ana Rosa (engenheira), Ana Regina (arquiteta), Ana Letícia
(promotora de justiça).
As
publicações da imprensa local, nutridas
pelas informações de Nuno Guilherme, denegriram
a imagem ilibada de Ana Virgínia, profissional
de nível superior, com residência e emprego
fixos, e foram fatos decisivos para justificar a sua
prisão preventiva, nos moldes da justiça
portuguesa, pois sendo identificada irresponsavelmente
pelos jorna?s como aventureira, prostituta, acusada
de ter envenenado seu filho menor, provocou um torpor
emocional e de revolta, tendo contra ela a opinião
pública.
O
corpo de Leonardo só pode ser trasladado para
o Brasil em 23 de julho de 2007, a fim de receber os
rituais religiosos pelo seu falecimento, evitando ser
enterrado como indigente no solo português.
Ana
Virgínia foi mantida presa e incomunicável
sem qualquer acusação formal. Em Portugal,
nas férias forenses nada funciona, sem haver
qualquer juiz ou promotor plantonista para conduzir
o caso de Ana Virgínia vigorando ainda o sigilo
processual que não permite acesso aos autos,
nem por parte do advogado particular e credenciado pela
OAP, constituído pela família. Até
a presente data, o resultado de perícia médica
realizada em Leonardo Brittes, ainda não foi
divulgado, laudo este que não tem previsão
de ser concluído.
Ana
Virginia era mantida sedada pelo corpo da administração
prisional, passando a conviver e dividir cela com
pessoas
de alta periculosidade como traficantes de drogas,
homicidas, etc.
Em
05 de agosto de 2007, quando completara um mês
da morte de seu filho e, para não se lembrar
deste fato doloroso, Ana Virgínia ingeriu uma
dose excessiva de tranqüilizantes para conseguir
dormir, quando foi violentamente atacada, ficando terrivelmente
mutilada, ostentando ainda hoje, feridas de queimaduras
no rosto, pernas e braços, além de ter
sido vítima de outras violências corporais,
estando atualmente paralítica do braço
esquerdo, com fortes dores na bacia, proveniente dos
ataques físicos sofridos contra seu corpo.
Hoje
se encontra internada no Hospital Prisional São
João de Deus, em Caxias, aonde vem recebendo
algum tipo de auxílio médico através
de fisioterapia, que a família não considera
ser o tratamento adequado e eficiente.
Neste
mesmo hospital, diuturnamente sofreu tortura psicológica
quando é ameaçada de retornar ao mesmo
Estabelecimento Prisional de T?res onde sofrera o atentado
e que, necessariamente, já se prevê um
revide.
O
Estabelecimento Prisional através de sua direção,
escondeu o ocorrido, não comunicando o fato de
tamanha gravidade sequer ao próprio advogado
de Ana Virginia. A família teve ciência
através de um telefonema desesperador dela mesma,
somente uma semana depois do ataque sofrido e após
recobrar a consciência.
Cobertos
pela prática arbitrária e medieval do
princípio do sigilo, que rege o ordenamento penal
pátrio, Ana Virginia e os familiares representados
pelo advogado constituído, não tiveram
acesso aos documentos dos auto. A justiça portuguesa
vem martirizando-a, através de prepostos da polícia
judiciária que, insistentemente, diz que ela
não tem qualquer prova de sua inocência
(com total disvirtualidade das garantias inerentes de
um estado de direito) e que irá amargar 25 anos
de prisão em Portugal, sofrendo claramente tortura
psicológica. A família, de igual forma,
se vê aflita, uma vez que, após o fato
e quando da prisão de Ana Virgínia, esta
se encontra completamente transtornada pela morte do
filho, e sentindo-se absolutamente isolada e abandonada,
visto que sua família em momento algum foi comunicada
e, pior, mantida totalmente dopada e em estado de cruel
e inacreditável incomunicabilidade.
A
família tem vivido momentos de verdadeiro terror
com todas estas atrocidades que aconteceram, tanto pela
morte prematura do tão querido Léo, como
também pelas atitudes injustas e desumanas que
ela vem tendo em um país que se diz co-irmão
do Brasil e signatário da Representação
da União Européia.
Após
longos vinte dias, foi deferido o pedido de visitas
permanentes do casal amigo da família, residente
em Lisboa, pois a direção do Hospital
Prisional dificultou ao máximo o acesso destas
pessoas idôneas e devidamente autorizadas a representar
a família em Portugal. Eles próprios relataram
o quadro desesperador em que se encontra Ana Virginia,
com choros convulsivos, demonstrando toda a sua fragilidade
e sensação de abandono e impotência.
? Ana
Virginia está com aspecto de quem sofreu um derrame
cerebral, com todo o lado esquerdo paralisado, a mão
torta e o braço definhado, consequência
das torturas e espancamentos que possivelmente sofreu
no Presídio de Tires. Continua com fortes dores
na bacia, que a impede de sentar e andar normalmente.
O hospital não está tratando destas lesões.
A família suspeita que ela esteja com alguma
fissura em algum osso desta região.
O
acesso ao relatório médico de Ana Virgínia
não foi permitido pelo hospital e nem o Governo
Português providenciou um exame de corpo delito,
muito menos publicou as causas das lesões. Ela
está com o nervo PLEXO BRAQUIAL comprometido
no braço esquerdo, diagnóstico este detectado
através de exames feitos por patrocínio
do Consulado, fora do ambiente prisional, após
visita do Vice-Cônsul a Ana Virgínia, em
28 de agosto de 2007, mais uma vez por apelos diretos
da família.
A
lesão foi provocada devido ao rompimento do ligamento
que une o membro superior à espinha dorsal. Dependendo
da gravidade o paciente deverá se submeter à
intervenção cirúrgica. Esse tipo
de lesão inclusive afeta a visão, o que
já está acontecendo com ela, pois está
com dificuldades de leitura e a sua memória está
falhando. O hospital prisional não está
dando nenhum tratamento médico eficiente a ela,
ao contrario, apenas, faz uma fisioterapia e aplica
remédios para minimizar as dores. Ana Virgínia
nos primeiros dez dias urrava de dores insuportáveis.
Se
não houve tortura, como surgiram estas dores
e inchaços na bacia dela? Por que de repente,
da noite para o dia, apareceram manchas escuras em seu
rosto, pernas, braços e mãos, com formas
definidas, que hoje se transformaram em bolhas, processo
claro de quem sofreu queimaduras na pele? Se não
houve tortura, como Ana Virgínia conseguiu lesionar
o citado nervo do braço esquerdo? Segundo pesquisas
que a família está realizando e consultas
a especialistas médicos de São Paulo,
este tipo de lesão no PLEXO BRAQUIAL, são
ocasionadas por arma de fogo, acidente obstétrico
? (que não é o caso) ou quedas brutais (vejam
bem!), muito comum em acidentes de motos. Ela sofreu
sim uma brutal agressão física e que Portugal
quis esconder o quanto pôde estes fatos.
“è
notória a necessidade de esclarecimento deste
atentado hediondo e que os culpados sejam apontados
e punidos. Sei que isto não trará meu
sobrinho de volta e muito menos reduzirá as seqüelas
físicas e emocionais que ficarão cravadas
em minha irmã para sempre, mas a justiça
tem que ser aplicada, para que não aconteça
com outros seres humanos, em situações
de cárcere, seja lá qual for o motivo,
este terrível e repugnante ato de agressão.
Tudo isso no meu entender, ultrapassou e muito a violação
dos direitos da humanidade de viver condignamente”.
A
família quer a aplicação da lei
brasileira e dos tratados e acordos internacionais,
trazendo Ana Virginia imediatamente para o Brasil a
fim de que a justiça se debruce sobre a perseguição
de sua defesa, garantindo a legalidade prevista e amparada
em nosso ordenamento jurídico, pela lei penal
brasileira em seu art. 7 º e pelo decreto lei n
º 394/38, em seu art. 18, diferentemente do que
ocorre naquele país europeu, onde impera o tempo
da barbárie, o autoritarismo colonial e arbitrariedade
sem limites, resultando no atentado e violação
de todos os tratados e convenções internacionais,
quer sobre matéria penal e processual penal,
quer sobre direitos humanos.
A
família quer provocar hoje, junto às autoridades
brasileiras, abertura de procedimento próprio
de extradição ativa de Ana Virginia para
que esta retorne ao Brasil a fim de que sejam apurados
os fatos de seu processo penal pela justiça brasileira,
pois aqui terá direito a julgamento justo e
imparcial.
As
autoridades brasileiras também têm o dever
de apurar as torturas que Ana Virgínia sofreu
na prisão, bem como cobrar de uma maneira efetiva
do Governo Português um pronunciamento oficial.
Somos brasileiros, e temos que fazer valer os direitos
à cidadania.
“O
? destino monta muitas armadilhas, mais esta está
difícil de aceitar. No dia primeiro de junho
de 2007 presenciei minha irmã e meu sobrinho
partirem cheios de alegria para passarem umas férias
em Lisboa. Hoje trouxemos nosso Léo sem vida,
mas queremos nossa Viga (apelido de Ana Virgínia
de infância) de volta e VIVA, com a ameaça
de ficar paralítica para sempre do braço
esquerdo, conseqüência do bárbaro
e inexplicável atentado que sofreu na Prisão
de Tires, para que receba todo o amor que sentimos por
ela e um tratamentos médicos fisioterápico
e neurológico adequados. Chega de sofrimento
para ela”.
“Os
nossos amigos brasileiros estão mobilizados nesta
causa humanitária, porque Ana Virginia tem berço,
tem laços de sangue fortes, tem princípios
familiares, que conseguiu brilhantemente transmitir
a seu filho Leonardo com toda perfeição.
Esperamos que as autoridades brasileiras tragam Ana
Virginia de volta para o seio de sua família,
pois ela ainda terá um amargo caminhar para superar
esta perda tão dolorosa e queremos que esta recuperação
seja aqui, junto de nós: este direito ela tem”.
Assinado por Ana Rosa Sardinha Lima, engenheira civil
na ativa, natural de Salvador - Bahia, casada, residente
e domiciliada em Lauro de Freitas – Bahia, irmã
mais velha e madrinha de Ana Virgínia Moraes
Sardinha.
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